Bolsonarismo: a pior ameaça da política brasileira pós-redemocratização?


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Quando a democracia tropeça no próprio espelho

Desde 1985, o Brasil tem vivido altos e baixos na política, mas o bolsonarismo parece ter trazido um tempero extra de fel para a panela já turbulenta da redemocratização. Eu costumo dizer que ele é como aquele parente que aparece no churrasco dizendo que “não gosta de política”, mas vem com a camisa da seleção, o hino na ponta da língua e o WhatsApp cheio de memes duvidosos. A pergunta que não quer calar é: será que esse movimento foi o pior fruto da nossa vida política pós-ditadura?


O que define o bolsonarismo

Antes de julgar, vamos entender. Bolsonarismo não é só Jair Bolsonaro, é uma cultura política marcada pelo culto ao líder, apropriação da bandeira, da fé e até da camisa amarela como se fossem propriedade privada. É também a transformação da mentira em método, a violência simbólica em rotina e o ataque às instituições em discurso de palanque.


O peso da desinformação

Se Collor nos anos 90 caiu por causa de corrupção, e o PT foi alvejado por escândalos e pela Lava Jato, o bolsonarismo inovou ao transformar a desinformação em combustível político. Não era ruído, era estratégia. Fake news viraram política pública paralela, criando uma realidade própria onde o que importava não era o fato, mas a narrativa.


Conservadorismo ou caricatura?

Aqui está o truque: o bolsonarismo se escondeu atrás do rótulo de “conservador”. Mas o que se viu foi outra coisa,  um “conservadorismo” performático, que gritava pela moral da família enquanto celebrava a morte de adversários, exaltava a ditadura e debochava da ciência. É o tipo de conservadorismo que conserva pouco e destrói muito.


Comparando com outros momentos

  • Collor: populista, vaidoso, corrupto, mas não questionava a existência das urnas ou da democracia em si.
  • PT: Teve escândalos de corrupção, mas sempre disputou no terreno institucional, aceitando eleições, julgamentos e processos.
  • Bolsonarismo: foi além, atacou o próprio campo de jogo. Não era sobre ganhar ou perder, mas sobre destruir o juiz, rasgar a súmula e dizer que o placar estava comprado.

O abjeto político

Chamo de abjeto aquilo que se alimenta da degradação ética: rir da dor, normalizar a ignorância, aplaudir a violência. O bolsonarismo conseguiu transformar a grosseria em estilo, a mentira em discurso e o ódio em capital político. Nesse sentido, sim, é diferente de tudo que vimos desde 1985.


O legado do desastre

O saldo que ele deixa não é só econômico ou político, mas cultural: um Brasil mais dividido, onde símbolos nacionais se tornaram armas e onde conversar virou um campo minado. O bolsonarismo cristalizou a ideia de que a democracia é só uma “opinião”, e isso é veneno puro para qualquer país que queira seguir em frente.

Foto: Caio Guatelli

Conclusão provocativa

Se a pergunta é se o bolsonarismo foi a pior coisa da política brasileira pós-redemocratização, minha resposta é direta: foi o movimento mais corrosivo, porque atacou o próprio alicerce da democracia, a confiança no processo e no diálogo público. Corrupção e populismo já tivemos de sobra. O que não tínhamos experimentado era a negação sistemática da realidade como projeto político. E esse, caro leitor, é o verdadeiro fantasma que ainda assombra o Brasil.


👉 E você, acha que o bolsonarismo foi o ponto mais baixo da nossa política recente ou ainda vamos descobrir um buraco mais fundo nesse poço?


Sal

Jornalista, blogueiro, letrista, já fui cantor em uma banda de rock, fotógrafo, fã de música, quadrinhos e cinema...

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