Entre baterias e bastidores: a trajetória global de Raphael Miranda e da Ego Kill Talent


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Rapha fez da bateria sua trincheira

Da Zona-Sul carioca ao quintal chamado Allianz Parque

Tem histórias que parecem roteiro de filme, e a do Raphael Miranda é dessas que a gente compra ingresso de primeira fila. Carioca, Rapha fez da bateria sua trincheira, mesmo quando a vida parecia querer empurrá-lo pra outro lado. Primeiro na guitarra, depois se jogando na bateria, de forma autodidata, errando, acertando, ralando até encontrar professores e referências que ajudaram a lapidar sua pegada. 

Mas no fundo, o que moldou esse caminho foi uma paixão de moleque: o Metallica. Raphael decidiu que ia ser baterista quando ouviu Lars Ulrich destruir tudo nos discos da banda. E o sonho foi tão forte que ele acabou, anos depois, tocando com eles. Imagina a cena: você aprende a tocar por causa de um ídolo, depois divide bastidores com ele e ainda tem a manha de entregar uma caixa de batera, personalizada, dizendo que virou músico por causa dele. O Lars ficou chocado. Afinal, nem todo mundo no rock tem essa sinceridade brasileira de colocar o coração na mesa.



Uma banda maior lá fora do que aqui dentro

A Ego Kill Talent carrega aquele destino meio “sepulturiano”: respeitadíssima fora do Brasil, admirada por gigantes da música, mas ainda subestimada por parte do público brasileiro. Eles abriram shows pro Foo Fighters, pro System of a Down, pro Evanescence, tocaram em festivais que muita banda nacional só sonha em entrar no line-up. O curioso é que, enquanto aqui não rodam no “Domingão”, lá fora eles viram assunto de camarim entre Dave Grohl e James Hetfield.

E olha que não é exagero. Quem viu a relação deles com o Foo Fighters sabe do que estou falando. O tributo ao Taylor Hawkins, por exemplo, colocou a Ego Kill Talent não só no palco, mas também no mapa afetivo do rock mundial. E essa conexão emocional vale mais que qualquer jabá em rádio.


A nova fase com Emmily

Como toda banda viva, a EKT passou por mudanças. Sai vocalista, entra vocalista, e o som respira novos ares. A chegada da Emily deu outra textura: uma voz feminina conduzindo a parede sonora que a banda já tinha, e que agora soa ainda mais ampla, com mais camadas. É um choque saudável. Tem quem estranhe de primeira, mas quando a música bate, você entende que o DNA está lá, só que com novas cores.

Essa virada mostra a coragem da banda em não se prender a uma fórmula. O rock vive de riscos, e talvez seja justamente isso que mantém a Ego Kill Talent tão bem posicionada no cenário internacional.

Emmily Barreto

Entre o underground e o mainstream

Há uma ironia nessa trajetória: enquanto alguns grupos nacionais suam para chegar a um programa de auditório e garantir três minutos de play-back, o EKT está construindo uma história sólida com ídolos globais, nos palcos mais respeitados do rock. Isso diz muito sobre como o Brasil consome sua própria música e sobre como, muitas vezes, precisamos do aval de fora para valorizar o que nasce aqui.

Mas, sejamos francos: talvez a Ego Kill Talent nunca tenha a intenção de ser banda de churrascaria de domingo. O lugar deles é outro. É o palco aberto do Allianz, é a estrada da turnê com gigantes, é a playlist dos fãs de metal alternativo pelo mundo.

Fotos | Marcela Lorenzetti

O peso do sonho realizado

Na live do Pitadas do Sal, em que estive acompanhado do amigo de infância do baterista, o jornalista Rafinha Simi, Rapha abriu o coração sobre todas essas histórias: o choro ao conhecer o Lars, a sensação de estar lado a lado com os ídolos, a vida na Pompeia, onde a banda toda respira rock a poucos metros do Allianz Parque, que eles chamam de quintal de casa. Mais do que música, a Ego Kill Talent simboliza persistência, amizade e aquela chama que só quem cresceu rabiscando caderno com nome de banda entende.

O que fica, depois dessa conversa, é a lembrança de que o rock ainda pulsa. Talvez não nas paradas de sucesso ou nos programas de domingo, mas no olhar emocionado de um fã que cruza um oceano pra ver uma banda brasileira que conquistou respeito onde importa: no palco e no coração de quem ouve.

A Ego Kill Talent é:

  • Emmily Barreto – vocais (2022 – presente)
  • Theo van der Loo – guitarra, baixo (2014 – presente)
  • Niper Boaventura – guitarra, baixo (2016 – presente)
  • Raphael Miranda – bateria, baixo (2014 – presente)
  • Cris Botarelli – baixo (2024 – presente)

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Sal

Jornalista, blogueiro, letrista, já fui cantor em uma banda de rock, fotógrafo, fã de música, quadrinhos e cinema...

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