Os Paralamas do Sucesso nos anos 1980: cinco discos que mudaram o jogo
🎧 Ouça os Paralamas do Sucesso no Spotify
📺 Assista à live no Pitadas do Sal

Imagina o Brasil dos anos 80. A ditadura dava sinais de cansaço, as Diretas Já agitavam o país, o rock brasileiro explodia nas rádios e, no meio desse caldeirão cultural, surgia uma banda que misturava rock, reggae, ska e poesia urbana. Três caras vindos de Brasília e Rio de Janeiro que, juntos, se tornariam um dos pilares do chamado BRock: Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone.
Os Paralamas do Sucesso não só surfaram a onda do rock brasileiro: eles ajudaram a moldá-la. E os cinco álbuns que eles lançaram nos anos 80 são provas vivas disso. Cada um é um capítulo essencial não apenas na carreira deles, mas também na história da música brasileira.
E é justamente sobre isso que vai rolar na live no Pitadas do Sal. Nesta terça-feira, 26 de agosto, às 19h, eu recebo a jornalista e grande fã do grupo, Ligia Vieira e o jornalista Romero Carvalho (co-host do maravilhoso podcast Quando o Som Bate no Peito) para mergulhar na discografia oitentista dos Paralamas. Vai ser faixa a faixa, história por história, riso e reflexão lado a lado.
Mas, antes de sentar à mesa dessa conversa, vale relembrar o peso de cada disco.
Bora nessa viagem?
🎬 Cinema Mudo (1983) – O primeiro grito
O disco de estreia foi meio como aquele amigo que chega na festa sem ser convidado e acaba roubando a cena. “Vital e Sua Moto” virou hino instantâneo e colocou os Paralamas no mapa. Mas não era só isso: tinha “Foi o Mordomo”, a faixa título “Cinema Mudo”, tinha a estreia de uma composição de Renato Russo, em “Química”, tinha “Patrulha Noturna”, tinha irreverência, tinha juventude sem manual de instrução.
É um álbum cru, direto, cheio de energia. Escuta aqui no Spotify
👓 O Passo do Lui (1984) – O salto para a consagração
Se o primeiro disco foi o grito, este foi o gol de placa. O álbum trouxe entre outras pérolas “Meu Erro”, mas a “coqueluche”, que entrou na playlist nacional, foi “Óculos”, e o Brasil inteiro passou a cantar junto. Era impossível ligar o rádio e não ouvir Herbert Vianna dizendo que não nasceu de óculos, que ele “não era assim”.
Com esse álbum, os Paralamas não eram mais promessa: eram realidade de estádio. E o detalhe: eles chegaram ao palco do Rock in Rio de 1985 com essa bagagem, prontos pra se eternizar. E fizeram história!
Ouça O Passo do Lui
🌍 Selvagem? (1986) – A guinada consciente
Aqui a parada ficou séria. O país vivia em ebulição política, e os Paralamas responderam com um disco que misturava rock, reggae e crítica social. “Alagados” ecoava as desigualdades brasileiras, enquanto “A Novidade”, parceria com Gilberto Gil, era poesia e denúncia.
A capa de Selvagem? tem uma história daquelas que já nascem clássicas. O responsável pelo clique foi Ricardo Leite, que contou a história dessa obra no Pitadas, e que registrou Pedro Ribeiro, irmão do baixista Bi Ribeiro, durante um acampamento no cerrado de Brasília, lugar que hoje, ironicamente, virou condomínio residencial. Depois de dias sem banho e quase sem comida, cada integrante do acampamento resolveu encarnar um personagem. Pedro entrou na brincadeira como o “selvagem”. Faixa de judô na cabeça, arco emprestado por um índio (com a ousada intenção de caçar aves).
Essa foto acabou colada na parede do quartinho onde os Paralamas ensaiavam, ao lado de pôsteres de Alceu Valença, Jimi Hendrix e outros ídolos. E foi ali que nasceu a decisão: antes mesmo de compor qualquer faixa, os caras já tinham certeza de que aquela seria a capa. A gravadora até torceu o nariz, mas Bi defende até hoje o gesto como um ato de independência: “a gente queria desafiar, provocar, mostrar que podia fazer o que quisesse”. Puro manifesto.
Esse álbum é mais do que música: é documento histórico. Ouça Selvagem?
🏝️ Bora-Bora (1988) – O mergulho tropical
Depois da crítica social, veio o disco que misturava clima praiano e introspecção existencial. “Quase um Segundo” é, talvez, uma das músicas mais dolorosamente belas já feitas no Brasil. “O Beco” reforça a veia poética de Herbert, mas o disco tem muito mais. Em um encontro casual entre Cazuza e Herbert num aeroporto, o Exagerado carioca disse que ele queria ter composto o Lado B de Bora Bora, tamanha a identificação com as canções reunidas naquele lado do disco.
Aqui, os Paralamas mostraram que eram mais do que uma banda de rock: eram arquitetos de sensações.
Dê o play em Bora-Bora
💥 Big Bang (1989) – O fechamento explosivo da década
Se a década tinha começado com irreverência, ela terminava com maturidade e explosão. “Lanterna dos Afogados” é o tipo de música que atravessa gerações, ilumina noites escuras e se tornou, com justiça, um dos maiores clássicos da nossa música. É uma das minhas canções preferidas dentre todas já lançadas pelos Paralamas.
Esse álbum é como um grande fogo de artifício fechando a festa com brilho intenso. Ouça Big Bang
Por que revisitar esses discos hoje?
Porque eles não envelhecem. Cada faixa, cada riff, cada letra é uma janela aberta para entender o Brasil dos anos 1980 e, de quebra, refletir sobre o Brasil de hoje.
E é por isso que a nossa live vai além de uma simples audição: vai ser uma “aula” afetiva, cultural e política, temperada com humor, memórias e, claro, paixão pela música. Sempre com aquele clima das lives do Pitadas do Sal, de uma conversa com clima de loja de discos.
📅 Terça-feira, 26 de agosto, às 19h
📌 Assista ao vivo no Pitadas do Sal
🎤 Comigo, Sal, e os jornalistas Romero Carvalho (Quando o Som Bate no Peito) e Ligia Vieira.

Em defesa dos Paralamas dos anos 80
Os cinco discos lançados pelos Paralamas nessa década são como um mosaico do Brasil: festa, crítica, amor, dor e esperança. Eles não se repetiram, não ficaram no piloto automático, não viraram caricatura de si mesmos.
E talvez por isso sejam eternos.
Então, se você também tem uma história com “Meu Erro”, já chorou com “Lanterna dos Afogados”, ou dançou até cansar com “Óculos”, essa live é pra você.
Porque falar dos Paralamas dos anos 1980 é, no fundo, falar da nossa própria memória coletiva.
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