Man on the Run: A redenção fascinante de Paul McCartney

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Na segunda Beatles do Pitadas do Sal, eu reuni aquela turma afiada de sempre, Mari Cazé, Luciana Sarmento, Alan James, Fernando Feroli, Francisco Ribeiro, Heitor Pitombo e Romero Carvalho para conversar sobre o documentário Man on the Run. Um filme de 1h55 que mergulha nos anos 70 de Paul McCartney, com foco na fase pós-Beatles e na trajetória dos Wings.

Eu já começo dizendo: gostei. Gostei bastante. Gostei muito!

Claro que é impossível contar toda a trajetória de Paul pós-Beatles em menos de duas horas. Mesmo se o recorte fosse apenas a década de 70, ainda assim estaríamos falando de uma fase prolífica, intensa, cheia de recomeços, quedas e reinvenções. Isso aqui pediria uma série. Duas, três partes, talvez mais.

Mas dentro da proposta que o filme assume, ele entrega muito.


O recorte narrativo: foco e escolha

O documentário opta por concentrar sua narrativa no esforço de reconstrução de Paul após o fim dos Beatles. A sensação de rejeição da crítica, o peso da comparação constante com John Lennon, a necessidade de provar valor novamente.

Em determinado momento da live eu pontuei:

“Como um documentário de menos de duas horas, é impossível contar toda a trajetória do Paul pós-Beatles.”

E é exatamente isso.

O filme escolhe um caminho. E quando um documentário escolhe, ele necessariamente deixa coisas de fora.

Alguns colaboradores sentiram falta de álbuns importantes, de maior aprofundamento nas mudanças de formação dos Wings e de mais contexto sobre certas decisões criativas.

E isso é legítimo.

Mas o filme não é uma enciclopédia. Ele é um recorte.


A edição como protagonista

Se tem algo que praticamente todos destacaram foi a edição.

Eu fui direto ao ponto na live:

“A edição ficou primorosa.”

O ritmo, o uso de imagens de arquivo, os cortes que costuram passado e presente, tudo funciona como um motor narrativo. A montagem cria tensão, cria expectativa, cria sensação de jornada.

O início é mais contemplativo, quase defensivo. A partir de Band on the Run, o filme ganha velocidade. A narrativa acelera, como se estivesse acompanhando a retomada de confiança de Paul.

Só que essa aceleração tem um preço.

Algumas pontas ficam soltas.


Band on the Run: ponto de virada

Quando o documentário chega em Band on the Run, há um salto dramático. A sensação é de redenção. O álbum aparece como virada simbólica e comercial.

Mas ali também está um dos pontos que mais debatemos na live.

A partir desse momento, o filme corre mais.

As mudanças de formação do Wings passam quase como notas de rodapé. Álbuns importantes ficam sem a devida atenção. A década de 1970, que já é complexa por natureza, parece comprimida.

E mesmo assim, ainda é impressionante o que o filme consegue condensar.


O Paul resiliente

Um dos aspectos mais fortes do documentário é a construção da imagem de Paul como artista resiliente. Não como gênio intocável, mas como alguém que teve que recomeçar.

Em um dos momentos da conversa, ficou claro que o filme ajuda a reposicionar aquela narrativa crítica dos anos 1970, que muitas vezes tratou os Wings como projeto menor.

O documentário mostra trabalho duro. Estrada. Tentativa e erro. Persistência.

Ele não tenta transformar tudo em ouro. Mas mostra o processo.

E isso, para mim, é o maior mérito.


O que faltou?

Se eu fosse resumir o sentimento geral da mesa:

• Faltou aprofundamento nas trocas de integrantes
• Faltaram alguns álbuns relevantes
• Faltou mais tempo para certos conflitos internos

Mas nada disso invalida o filme.

Ele não é definitivo. Ele é provocador.

E talvez esse seja o ponto mais interessante.


Impacto e legado

O impacto do documentário não está apenas nas informações que traz. Está no debate que provoca.

Ele reacende discussões antigas. Faz a gente revisitar discos. Reabre aquela pergunta clássica: a década de 70 do Paul foi subestimada?

Para quem já acompanha o Pitadas do Sal, sabe que esse tema não é novo aqui. Já falamos muito sobre os Wings. E vamos falar ainda mais.

Mas o filme oferece uma nova porta de entrada.

E isso tem valor.


Conclusão

Eu saí do documentário com uma sensação positiva.

Ele não esgota o assunto. Nem poderia.

Mas ele ilumina uma fase que durante muito tempo ficou à sombra de um passado gigante chamado Beatles.

Se fosse uma série, talvez aprofundasse mais. Se tivesse mais uma hora, talvez costurasse melhor certas lacunas.

Mas dentro do que se propõe, ele funciona.

E mais importante: faz a gente querer ouvir tudo de novo.

E quando um documentário sobre música provoca isso, já cumpriu metade da missão.


Referências

Documentário: Man on the Run
Direção: Morgan Neville
Ano: 2025
Live do Pitadas do Sal: Segunda Beatles – Análise do documentário



Sal

Jornalista, blogueiro, letrista, já fui cantor em uma banda de rock, fotógrafo, fã de música, quadrinhos e cinema...

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