Por que Lô Borges é foda?!

Disco de 1972 influencia Artic Monkeys entre outros artistas

Foto Divulgação, por Flávio Charchar

Que eu sou um apaixonado pela obra do compositor mineiro Salomão Borges Filho, ou melhor, Lô Borges, desde criança, os amigos mais próximos estão carecas de saber. Agora, por que eu acho Lô Borges foda, não tenho explicação. Talvez seja sua música intimista e belamente arranjada, talvez sejam as letras das canções, bucólicas, siderais, feitas em parceria com ótimos letristas, com destaque especial ao irmão Márcio Borges, não sei, fato é que o mineiro de Belo Horizonte influencia outros talentos desde os primórdios dos anos 1970, quando dividiu os créditos com Milton Nascimento e Clube da Esquina, ou quando lançou na sequência seu álbum solo mais emblemático, batizado apenas com seu nome, mas que se transformou no icônico “disco do tênis“.

Clássico, “disco do tênis” segue cultuado por uma leva de admiradores ao redor do mundo

O que me chamou atenção, e me motivou a escrever esse post, foi uma notícia que li esta semana. Alex Turner, vocalista e principal compositor do grupo britânico Artic Monkeys, citou a música Aos Barões, em uma lista manuscrita de influências para o novo álbum,Tranquility base hotel & cassino, enviada para a revista Mojo. Rapaz, Aos Barões é do “disco do tênis”, lançado por Lô Borges em 1972.

O “disco do tênis”, embora tenha vendido pouco na época, com o passar dos anos virou cult e tem ganhado fãs ano a ano. O disco é tão referência na música brasileira, e na carreira de Lô, que o próprio compositor está em turnê nacional, desde o ano passado, tocando o repertório do álbum na íntegra e com os arranjos originais. Um CD e DVD, registrado no Circo Voador-RJ, deve chegar ao mercado nos próximos meses.

Após nos brindar em março de 1972 com clássicos inquestionáveis em Clube da Equina, como Trem Azul, Trem de Doido, Tudo Que Você Podia Ser, Paisagem da Janela e a minha preferida ever, Um Girassol da Cor do Seu Cabelo, Lô, com apenas 19 anos, estava sem canções na manga para o primeiro solo. Mesmo assim, compondo a medida que o disco ia sendo gravado, o “disco do tênis” nos brinda com pérolas como Canção PostalO CaçadorFaça Seu Jogo,  e Não Se Apague Esta Noite. “Eu compunha uma música de manhã e a gravava à noite”, relembra hoje Lô, com os mesmos ares do menino de 1972.

Aos Barões, a tal canção que influenciou Alex Turner,tem muita influencia psicodélica do rock inglês. Lô e Beto eram muito fãs de Beatles, principalmente. E na arte é comum a retroalimentação, os ingleses que influenciaram os mineiros, agora são influenciados por estes. Turner é um cara antenado e não passou despercebido ao som de Lô.

Embora tenha sotaques de rock psicodélico, com letras em português, o disco apresenta uma rica fusão entre MPB e jazz e soa com frescor ainda hoje. Depois desse disco Lô Borges lançou A Via Láctea (1979), Nuvem Cigana (1981), Sonho Real (1984) e segue carreira até hoje, sempre com belas e boas canções. Lô é um clássico!

Sal

Jornalista, blogueiro, letrista, já fui cantor em uma banda de rock, fotógrafo, fã de música, quadrinhos e cinema...

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